PESSOAS COMUNS TAMBÉM SÃO ATLETAS

VOCÊ SABE A SENSAÇÃO DE NÃO DESISTIR?

VOCÊ SABE A SENSAÇÃO DE NÃO DESISTIR?



Certa vez, uma pessoa que tinha acabado de superar o #desafio90diasL5, veio até mim toda feliz e disse: “esta foi a primeira vez que não desisti, que fui até o fim em um propósito e VOCÊ SABE QUAL É A SENSAÇÃO DE NÃO DESISTIR? É boa demais, quero viver isso para sempre”.
Conversamos por um bom tempo. Fiquei ali ouvindo as impressões daquela pessoa que, naquele momento, emanava uma energia vibrante. Ao ouvir sua história, me comovi diante de alguém que, pouco tempo antes, tinha a autoestima muito baixa e se via como uma pessoa fracassada e sem expectativas. 
Esta pessoa me contou que nunca havia conseguido superar um desafio pessoal. Começava um curso e, na metade, desistia; começava uma dieta e resistia a guloseimas por apenas dois dias; na academia não passava da primeira semana. Disse ainda que não sabia o que era ter força de vontade, que não havia nascido com esse dom e que a superação do #desafio90diasL5 fez com que ela descobrisse várias coisas sobre si mesma. Inclusive que a força de vontade é como um músculo, que, treinado diariamente, cresce, fortalece e fica visível para todos.  
Depois da nossa conversa, fiquei um tempo pensando sobre tudo o que havia escutado. Mas o que realmente ficou na minha cabeça foi a frase VOCÊ SABE QUAL É A SENSAÇÃO DE NÃO DESISTIR? Gastei uns bons dias refletindo sobre isso, tentando entender o que essas palavras significavam, sentindo a profundidade desse sentimento de superação e lembrando os momentos em que escolhi não desistir, para assim conseguir descrever essa sensação. Nessa reflexão, me veio à mente a minha primeira maratona.
Fiz os meus primeiros 42,195 quilômetros de corrida em 2017, no Rio de Janeiro. Estava preparado, cumpri corretamente todo o processo de treinamento para essa prova, mas mesmo assim estava com medo, pois uma maratona não é uma prova qualquer. É uma prova que muda o seu status de corredor para maratonista – e se fosse fácil, todo corredor faria, o que não acontece. Já na largada, eu fiquei me dizendo: vamos lá, vamos pra cima, vamos até o final e não vamos desistir”.
Quando largamos, um sentimento de inspiração me contagiou. Deu vontade de gritar, de expressar para o mundo o sentimento de que eu estava ali buscando uma superação pessoal, atrás de uma conquista importante para mim. Hoje percebo que todo início de desafio é assim, cheio de vontade e com muitas expectativas. Tem gente que se empolga tanto com essa motivação inicial que quer sair acelerado, não pensa que ainda vai ter muita estrada pela frente.
Na metade da prova, comecei a me sentir entediado, já estava correndo por horas, repetindo os mesmos gestos e isso começou a afetar meu subconsciente. Os sinais de ansiedade começaram a aparecer e eu passei a me questionar: “pra que fui inventar isso? Ainda tem a outra metade da prova”. A ansiedade é um sentimento comum para aqueles que estão enfrentando um desafio. Muitas pessoas desistem nesse momento, pois é uma sensação desagradável, um tipo de dor esquisita e difícil de lidar, que geralmente aparece no meio do objetivo, após a grande motivação do início.

Algumas horas depois, o sentimento de ansiedade começou a se misturar com as dores físicas. Meu corpo todo doía, minhas pernas não respondiam aos comandos... A vontade de desistir veio com força, já que eu havia atingido o limite físico e ainda precisava correr por pelo menos uma hora. Cheguei a desacreditar que conseguiria, ao experimentar um sentimento de raiva que me fez questionar o sentido daquilo e por que inventei de aceitar aquele desafio.  
Entendi que, ao atingir nosso limite, temos como consequência não só as dores físicas, mas os efeitos da ansiedade que as acompanha. Esta mistura pode se transformar em raiva e dúvida. A vontade de parar fica maior e o risco de desistir aumenta muito neste momento.
Quando vi a placa marcando os quarenta quilômetros da prova, quase não acreditei. Já estava me arrastando, minha lombar estava travada e minha panturrilha era só câimbras, mas a expectativa do final me trouxe um novo sentimento: a esperança. Passou um filme na minha cabeça sobre os motivos que tinham me levado até ali e aquele sentimento de motivação lá do começo voltou – e foi o que me fez continuar. 
Quando vi a placa dizendo “faltam 500 metros”, comecei a me arrepiar. Podia enxergar a linha de chegada e, no percurso, a multidão aplaudia, incentivava, dava força, gritando: “vai, continua, falta pouco, não para, não desiste”. No meio daquele povo todo eu procurei minha esposa e meu filho, na época com apenas quatro meses de idade. Quando os avistei, fui até eles e pedi que minha esposa me entregasse meu filho - queria cruzar a linha de chegada com ele nos braços! 
Ao cruzar a linha, fui tomado por um sentimento forte que veio de dentro do peito: parecia que eu ia explodir! Comecei a rir, a chorar, a gritar. Pronto: eu havia me tornado um maratonista. Com meu filho nos braços, senti que passava para ele o sentimento de orgulho por ser um guerreiro e não desistir. 
Ao reviver esse momento, lembrei qual era A SENSAÇÃO DE NÃO DESISTIR. Não desistir dói, mas vale a pena sentir esta dor. Não desistir é resultado de tudo o que eu experimentei: motivação, entusiasmo, ansiedade, dor, raiva, desesperança, esperança, orgulho e, por fim, o triunfo.
Não desistir significa se superar e se superar não é fácil. Mas, se não aprendermos a enfrentar nossos desafios e chegar até o final, seremos sempre os mesmos - e o sentimento de ser sempre o mesmo, de não sair do lugar, é pior do que tentar se superar e falhar.
Somos aquilo que conquistamos, porque escolhemos não desistir. Somos as dores que suportamos, ao enfrentar os desafios que escolhemos superar. Somos as nossas histórias de dificuldades, as nossas cicatrizes e as medalhas que escolhemos colocar no peito.

Para fechar esse texto gostaria de deixar esse pensamento:

Somos aquilo que conquistamos, o que escolhemos não desistir. Somos as dores que suportamos, os desafios que escolhemos superar. Somos as nossas histórias de dificuldades, as nossas cicatrizes e as medalhas que escolhemos colocar no peito.


 

2 comentários:

  1. Lindo texto! Uma mistura danada de sentimentos... Fico muito orgulhosa de ter participado com você desse desafio. Nunca esqueço de você chegando com Robertinho no colo( quase caindo,kkkk). Um chorava assustado, o outro não continha a emoção da chegada,com forças ainda pra gravar o momento...jamais esquecerei esse dia, que pude vivenciar graças ao seu apoio . Muito obrigada !!

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    1. Você foi uma companheira e tanto, fico feliz demais por essa conquista que realizamos juntos. Poucos são os companheiros de jornada, aqueles que enfrentam as dificuldades até o fim, obrigado pela força!

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