PESSOAS COMUNS TAMBÉM SÃO ATLETAS

Meu #desafio90diasL5 - Sandra Sobral

Você acredita em milagres? Já viu algo que parecia impossível se tornar possível? 

Sandra escreveu para a L5 contando um pouco sobre sua vida e como o #desafio90diasL5 a motivou a voltar as suas atividades. Acompanhem:

Olá, meu nome é Sandra Sobral, tenho 54 anos, sou mãe de dois filhos, Saulo e Camila, professora da rede pública e confeiteira. Sempre gostei de levar uma vida ativa, sendo adepta aos exercícios físicos. 

Aos 35 anos fui diagnosticada com artrose coxo-femural. Já em estado avançado de desgaste nos quadris, as dores intensas e constantes limitavam meus movimentos, o que fazia com que me sentisse presa em meu próprio corpo, perdendo a mobilidade e a motivação para realizar tarefas simples do dia-a-dia. Diante dessa situação comecei a desanimar com a vida. Fui me isolando aos poucos e me sentindo sem forças para sair dessa situação, assim; a depressão foi inevitável. 

Passei por vários médicos. Queria achar uma resposta diferente, alguém que me desse esperança, mas não adiantou, todos os médicos diziam a mesma coisa: que eu deveria aprender a conviver com a dor, usar os medicamentos e aguardar a idade indicada da cirurgia para colocar uma prótese nos quadris, 65 anos. 


Agora, imagine, você ter que aceitar esperar 30 anos para acabar com uma dor, passar 30 anos com dificuldades de andar, sentar, levantar e depender dos outros para fazer basicamente tudo por você. Que tipo de vida é essa? É uma verdadeira sentença de inutilidade. Todos nós apreciamos a liberdade e gostamos da independência de ir e vir sem depender dos outros. Existem coisas que valorizamos apenas quando perdemos e com certeza a liberdade é uma delas. 

Eu estava afastada do trabalho, usando bengala e dependendo de ajuda para tarefas simples como calçar um tênis, subir escadas e até mesmo me sentar. Esse tipo de vida para uma pessoa ativa não é fácil de aceitar, mas não teve jeito, tive que me acostumar a levar uma vida cheia de limitações. Foram quase 15 anos nessa situação. 15 longos anos sofrendo, achando que não teria outro jeito e que esse seria meu destino; ser uma pessoa incapaz. 

Certo dia mexendo na minha rede social, vi várias pessoas postando fotos aceitando um desafio, o #desafio90diasL5. Achei a proposta de passar 90 dias consecutivos fazendo exercícios físicos, interessante, fiquei motivada e queria participar, mas ainda havia dentro de mim o medo de fracassar e o medo de que minhas limitações não me permitissem concluir o objetivo. 

Pensei muito, mas muito mesmo, até que aceitei encarar o desafio da L5. 

Os médicos até me aconselhavam fazer exercícios físicos. Diziam que poderia ajudar, mas eu sempre começava e não durava uma semana, não tinha ânimo para continuar. 

Então dessa vez desafiei a mim mesma a frequentar o centro de treinamento da L5 e realizar os exercícios funcionais que eram desconhecidos para mim até então. 

Durante o desafio cheguei a me sabotar algumas vezes. Deixava de ir aos treinos por acreditar que eu não tinha mais jeito. Certo dia cheguei a estar na porta do Centro de Treinamento da L5, no horário do meu treino, e quis voltar. Pensei em desistir mais uma vez, mas naquele momento respirei fundo e disse a mim mesma: só por hoje eu não vou desistir, hoje vou encarar minha dor e vou dar sequência ao meu proposito; e entrei. Depois desse dia passei a me enfrentar, a encarar o meu problema e buscar melhorar minha situação.  

Aos poucos fui percebendo meu progresso. Meu corpo respondia aos estímulos dos exercícios e passei a ter qualidade de vida, autonomia e independência novamente. 

Percebi que eu podia ir além e que os limites estavam em minha mente. A doença existe, respeito minha condição, mas não sou obrigada a aceitar as limitações que me impuseram. 

Enfrentar #desafio90diasL5 foi o início da minha superação. Você não tem noção do poder da consistência, de como se forçar a fazer a mesma coisa todos os dias te faz evoluir e acreditar em si mesma. 

Dali em diante somente Deus poderia determinar até onde eu poderia ir. 

Ao readquirir mobilidade, ousei um pouco mais e fui praticar o moutain bike. Difícil no início, pois o medo e a insegurança ainda me acompanhavam, mas acompanharam por pouco tempo. A bike me trouxe a liberdade de volta e o empoderamento que precisava. 

Hoje, me considero uma ciclista bruta no pedal. 

Segundo meu ortopedista, eu não chegaria aos 50 anos sem passar pela cirurgia de próteses, mas contrariando as expectativas da Medicina Moderna estou indo, rumo aos 55 anos, pedalando, muito bem, obrigada. 

Sair da zona de conforto e encarar os desafios é cansativo, dá trabalho, mas faz a vida valer a pena.