PESSOAS COMUNS TAMBÉM SÃO ATLETAS

Meu #desafio90diasL5 - Roberto Leles

Olá, meu nome é Roberto Leles e eu gostaria de compartilhar uma historia com vocês. Minha vida mudou completamente quando descobri que sou responsável pelo meu destino, que tudo na vida é uma questão de hábito e que fazemos o que fazemos pelo simples fato de estarmos acostumados a fazer. 

Descobri que essa história de nasci assim, cresci assim e vou morrer assim, aquela história da Gabriela, só acontece se eu não me esforçar para mudar, se eu escolher continuar repetindo os mesmos padrões eternamente. 

Tudo começou em 2013, quando um cliente da academia me recomendou ler, O PODER DO HÁBITO de Charles During, um livro que trazia uma série de estudos e casos sobre o comportamento humano. Nele, o autor mostra como somos levados pela rotina e explica que isso é uma estratégia do cérebro para poupar energia. 


PRIMEIRO REGISTRO do #desafio90diasL5


Nossa cabeça gosta de viver no automatismo, de fazer sempre as mesmas coisas, não gostamos de mudar, queremos o mínimo de esforço possível e tudo que é diferente incomoda. Assim procuramos criar padrões, mesmo que inconscientemente para levarmos a vida dentro de uma zona de conforto. Alguns padrões são construtivos, tipo estudar e fazer exercícios físicos, e outros destrutivos, como fumar e o sedentarismo. Alguns padrões são impostos pela sociedade e os repetimos sem pensar. E se você quiser mudar, deve se preparar para uma luta intensa contra si mesmo e contra a sociedade; pois, na maioria das vezes, as pessoas ao seu redor também não querem que você mude e começam a te sabotar para ver se você desiste.

Como toda boa leitura, esse livro me ajudou a despertar e assim consegui compreender como algumas coisas funcionavam e passei a ter uma visão mais critica sobre os meus hábitos, por isso passei a me concentrar naquilo que atrapalhava o meu desenvolvimento, encontrando os padrões que não agregavam valor; depois comecei a substitui-los por outros que me ajudariam a evoluir. Confesso que não é nada fácil, muita coisa está enraizada na gente, e acreditamos não poder viver sem aquilo, mas com o passar do tempo vamos nos acostumando, e então começamos a nos perguntar, por qual motivo fazíamos aquilo?  

No livro, o autor diz que leva cerca de 21 dias para que nosso cérebro aceite um novo padrão, sendo as três primeiras semanas as mais difíceis para quem quer mudar e após superado esse período, o corpo passa a aceitar um pouco mais o novo padrão, porém, para que esse novo padrão se torne um hábito serão necessários 90 dias. 

Quando este se torna um hábito, você não precisa mais se esforçar, pois passa a realizar aquela ação de forma automática. 

Pensando nisso, comecei a fazer uma auto-avaliação, questionando os meus padrões de atividade física e os hábitos alimentares. Vi que algumas coisas não estavam de acordo com o ramo que escolhi trabalhar, estava sedentário e comia muita bobagem; em cinco anos saí de 78kg para 96kg, e isso me incomodou muito. Foi então que resolvi mudar, me desafiei a passar 90 dias consecutivos fazendo exercícios físicos por no minimo 20 minutos e a melhorar minha dieta.

Nisso, passei a registrar os meus treinos nas redes sociais. Fazia uma grande variedade de treinos, alongamentos, abdominais, corridas e esportes. Criei uma contagem para me forçar a seguir a risca, sempre que treinava, postava a foto e nos comentários escrevia: 01/90, 02/90, 03/90. E assim fui até completar os 90 treinos consecutivos. No começo não foi fácil, mas assim como dizia o livro: as primeiras semanas são de adaptação e após superada é só manter o ritmo.

Mas, confesso que o meu maior desafio não foram os exercícios; e sim, parar de comer cachorro quente. Esse, sim, foi um sacrifício. Havia criado um hábito de todos os dias após o trabalho, passar em um carrinho daqueles tradicionais que tem em toda praça para lanchar. Sendo esse, o fechamento do meu dia.  

Frequentava-o há anos e já tinha pegado intimidade com o pessoal que trabalhava nele. Era meio que um ritual, sabe? 

Chegava sempre na mesma hora e falava sempre a mesma coisa: “Tia, quero um daquele jeito!”. 

E depois de comer um, sempre pedia outro. Eram dois por dia. Aquilo passou a me incomodar realmente, pois além de gastar dinheiro com bobagem, estava ganhando peso e perdendo o meu condicionamento físico para praticar esportes. 

Me lembro, como se fosse hoje, quando passei em frente ao carrinho e disse pra mim mesmo: “eu não vou parar”.

Achei que fosse pirar. Minha cabeça começou a doer, minha boca salivava e meu peito doeu de ansiedade. Foi uma coisa de louco. Não consegui passar direto, tive que parar e fazer meu ritual, “Tia, me faz um daquele jeito!” 

E ainda disse pra mim mesmo, justificando: “vou comer apenas um”. 

Mas quem disse que seria assim? 

Logo após comer o primeiro, já pedi o segundo. 

E sabe do pior? Pedi o terceiro.

Já estava fudido mesmo. 

Assumo que perdi o controle naquele dia. 

Mesmo não querendo, não conseguia parar de comer.

Cheguei em casa com a consciência pesada, por não ter conseguido cumprir minha promessa. Tive essa reação por causa do hábito que eu mesmo havia formado. Eu queria mudar, meu corpo, não. 

Nesse dia vi que as coisas não eram tão simples assim e que toda mudança é dolorosa. Gastei em torno de quatro meses tentando não comer mais cachorro quente, foi uma luta dura, mas venci. E realmente as três primeiras semanas foram as mais difíceis. 

Foram várias tentativas até conseguir. Como em toda história de sucesso, a persistência fez a diferença. Comecei a forçar. Ficava um dia sem comer, mas no outro não resistia,. Mesmo assim, continuava tentando. 

Depois de um tempo, já estava ficando dois dias. Depois três. E assim fui até conseguir superar os 21 dias, que eram a minha primeira meta.

Depois foi menos difícil suportar os 90 dias e hoje em dia estou liberto desse hábito. Consigo me controlar e dizer não, mas ainda tenho a liberdade para dizer sim em alguns momentos. 

Deu certo, consegui largar um hábito e colocar outro no lugar. Passei a levar uma vida mais ativa, encontrando espaço na minha agenda diária para fazer exercícios físicos por pelo menos 20 minutos. Em dias mais atarefados busco fazer alongamentos, abdominais e alguns exercícios calistênicos

Isso provocou uma mudança positiva na minha vida, me deixando mais leve e mais disposto. 

Desde então, tenho me desafiado a criar novos hábitos e a desenvolver rotinas para me ajudar em diferentes áreas de minha vida como:

No trabalho: chegar sempre 10 minutos mais cedo. 
Nas relações espirituais: ficar sem reclamar. 
No lado pessoal: ler e escrever todos os dias. 

Com isso tenho estado em constante mudança, o que acredito ser um sinal de evolução, pois experiência não é fazer a mesma coisa por determinado tempo, e sim, fazer a mesma coisa de forma diferente e melhorada com o passar dos anos. 

Por isso, sempre me cobro a nunca ser o mesmo e isso tem me mantido em constante progresso. 

Roberto Leles